Na Antiguidade, em várias civilizações do Médio Oriente era comum a prostituição sagrada, pela qual os homens iam a templos ter relações sexuais, com a finalidade de comungarem com uma deusa particular.O filme Irina Palm de Sam Garbarsky representa uma cultura constituída sobre um sistema matriarcal, em que não existe senão prostituição sagrada.
Maggie (Marianne Faithfull), uma viúva de meia-idade, trabalha no Sexy World como Irina Palm por um motivo altruísta: obter dinheiro suficiente para pagar os tratamentos que podem salvar a vida do seu neto.
Embora a sua vida dupla seja moralmente questionada por ela própria e pelo seu filho, Maggie encontra o respeito e o amor da família, em que é, sem dúvida nenhuma, a matriarca.
O Sexy World assemelha-se a um templo em que Irina Palm é a prostituta sagrada, encarnando a deusa. Sendo assim, torna-se responsável pelo gozo sexual dos homens anónimos que confiam os seus falos à sua mão macia. Separados por uma parede, mas ligados por um orifício, os homens e a prostituta sagrada estão juntos numa busca espiritual.
Em Paulo, o corpo torna-se lugar da glória de Deus.
“Será que vocês não sabem que o corpo de vocês faz parte do corpo de Cristo? Será que eu vou pegar numa parte do corpo de Cristo e fazer com que ela seja parte do corpo de uma prostituta?” É claro que não! Ou será que vocês não sabem que o homem que se une com uma prostituta se torna uma só pessoa com ela? As Escrituras Sagradas afirmam: “os dois se tornam uma só pessoa.” Porém quem se une com o Senhor se torna, espiritualmente, uma só pessoa com ele.” (1 Cor 6,15-17)
Paulo coloca o acento numa verdadeira teologia da corporeidade. O corpo é, no pensamento semita, a pessoa em situação e em relação. Por isso, a prostituição sagrada é uma gramática superada por uma nova gramática, em que é a Cristo, e não à prostituta sagrada, que homens e mulheres se unem por vínculos inseparáveis. O que se une a Cristo é um com Ele.
Irina Palm é um drama de uma busca espiritual sem encontro, o que está simbolizado pela parede que impede o conhecimento entre as pessoas e o amor recíproco; a espiritualidade autêntica ligada ao sexo está mais nos Escritos Paulinos porque Paulo, a partir da ideia semita de corpo, constrói um pensamento, ou melhor, uma teologia do corpo.
HELENA FRANCO
2008-05-27
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