A pregação de Paulo possui um carácter querigmático, ou seja, é anúncio e proclamação do Cristo crucificado e ressuscitado conforme as Escrituras. Paulo anuncia o Messias e o Reino de Deus, enfatizando que aquele que morreu na cruz, Jesus, era o Messias prometido. Ele recria do interior as palavras e os gestos de Jesus; imita mais do que o repete. Nesse sentido, quando se coloca a questão do Evangelho pregado por Paulo, sem hesitação respondemos que seu Evangelho é o Cristo. Paulo foi enviado para pregar o Evangelho, isto é, o Cristo: “7Que outro não há; o que há é certa gente que vos perturba e quer perverter o Evangelho de Cristo” (gel 1,7).
Sua teologia merece o qualificativo de cristológica, porque gira em torno da profissão de que Deus glorificou Jesus e o fez Senhor. Assim, onde está Jesus Cristo, está Deus, e Deus se comunica por Jesus Cristo. Aderir ao Evangelho equivale, na prática, a crer em Cristo Jesus. Esse conteúdo da carta aos Gálatas será reforçado na carta aos Romanos: “30Que diremos, portanto? Que os gentios, que não procuravam a justiça, a alcançaram, mas, claro, a justiça que vem pela fé” (Rm 9,30). Na carta aos Gálatas, a repreensão formulada contra Israel consiste no facto de haver recusado o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, em nome de sua fidelidade à Lei.
Descrever o itinerário de Cristo, apresentá-lo crucificado, morto e ressuscitado é sinal para a obra evangelizadora preconizada por Paulo. Como corolários desse anúncio evangélico seguem a universalidade do desígnio de Deus, a justificação pela fé e o estar com Cristo crucificado.
segunda-feira, maio 12
O Evangelho na vida de Paulo (Gálatas)
“11Com efeito, faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado, não o conheci à maneira humana; 12pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de Jesus Cristo.” (gel 1,11-12)
À luz dessa verdade, Paulo presenteia-nos com uma compreensão significativa da identidade cristã, ao nos mostrar que o cristão autêntico é aquele que vive uma verdadeira experiência de união com Cristo – elemento central do Evangelho anunciado por Paulo. De perseguidor a testemunha viva da Palavra de Jesus, homem que buscou a verdade, encontrada enfim às portas de Damasco, Paulo fez uma profunda experiência de encontro com Cristo. A partir daí, transformou-se num guardião do pensamento cristão. “15Mas, quando aprouve a Deus - que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça - 16revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma” (gel 1, 15-16).
Esse pensamento tem como base à expectativa do Messias, Cristo Jesus, e do Reino. Em Cristo, a Redenção acontece, no âmbito da fé no Reino de Deus. Não há dúvida de que a Redenção passa pelos dados da morte e ressurreição de Jesus. Morte que alcançará significado verdadeiro na perspectiva daqueles que crêem, não por si mesma, mas a partir do momento que for pensada como ponto inicial para realização do Reino de Deus, ou seja, aqueles que crêem serão redimidos quando se unirem a Cristo por meio de uma morte mística. Em outras palavras é a passagem do estado natural e exterior para uma esfera sobrenatural e interior.
Nesse sentido morrer e ressuscitar com Cristo como uma experiência espiritual parece estar presente no pensamento místico de Paulo como uma constante transformação do plano natural para o plano espiritual e ético. Espiritual porque estaremos em comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo e ético porque essa mesma comunhão é acompanhada por uma verdadeira transformação de conduta. Por esse motivo, a experiência de morrer e ressuscitar com Cristo deverá estar presente em todas as circunstâncias da vida do crente, em todo seu pensar e agir; experiência essa que será a porta de entrada para a vida eterna.
O Reino de Deus antes de ser um estado físico e externo, deve ser um estado espiritual e interno, ou seja, deve brotar e germinar puramente no interior, não visando sucesso algum visível, mas fazendo com que os eleitos irradiem a luz do Reino de Deus no mundo. Essa crença no Reino de Deus cresce por meio da força do Espírito de Deus que habita em nós.
À luz dessa verdade, Paulo presenteia-nos com uma compreensão significativa da identidade cristã, ao nos mostrar que o cristão autêntico é aquele que vive uma verdadeira experiência de união com Cristo – elemento central do Evangelho anunciado por Paulo. De perseguidor a testemunha viva da Palavra de Jesus, homem que buscou a verdade, encontrada enfim às portas de Damasco, Paulo fez uma profunda experiência de encontro com Cristo. A partir daí, transformou-se num guardião do pensamento cristão. “15Mas, quando aprouve a Deus - que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça - 16revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma” (gel 1, 15-16).
Esse pensamento tem como base à expectativa do Messias, Cristo Jesus, e do Reino. Em Cristo, a Redenção acontece, no âmbito da fé no Reino de Deus. Não há dúvida de que a Redenção passa pelos dados da morte e ressurreição de Jesus. Morte que alcançará significado verdadeiro na perspectiva daqueles que crêem, não por si mesma, mas a partir do momento que for pensada como ponto inicial para realização do Reino de Deus, ou seja, aqueles que crêem serão redimidos quando se unirem a Cristo por meio de uma morte mística. Em outras palavras é a passagem do estado natural e exterior para uma esfera sobrenatural e interior.
Nesse sentido morrer e ressuscitar com Cristo como uma experiência espiritual parece estar presente no pensamento místico de Paulo como uma constante transformação do plano natural para o plano espiritual e ético. Espiritual porque estaremos em comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo e ético porque essa mesma comunhão é acompanhada por uma verdadeira transformação de conduta. Por esse motivo, a experiência de morrer e ressuscitar com Cristo deverá estar presente em todas as circunstâncias da vida do crente, em todo seu pensar e agir; experiência essa que será a porta de entrada para a vida eterna.
O Reino de Deus antes de ser um estado físico e externo, deve ser um estado espiritual e interno, ou seja, deve brotar e germinar puramente no interior, não visando sucesso algum visível, mas fazendo com que os eleitos irradiem a luz do Reino de Deus no mundo. Essa crença no Reino de Deus cresce por meio da força do Espírito de Deus que habita em nós.
A Ressurreição dos Mortos (I Cor 15, 1-58)
A doutrina cristã da ressurreição dos mortos encontrava dificuldades no mundo gentílico. Os gregos, sobretudo por influência da filosofia platónica e da doutrina pitagórica, admitiam a imortalidade da alma. Mas não podiam aceitar a ressurreição do corpo, geralmente concebido como prisão e túmulo da alma. Podemos notar isto em alguns cristãos de Corinto que mostravam vacilantes quanto à ressurreição dos corpos. Contra estes o Paulo opõe, antes de tudo, o facto da Ressurreição de Cristo, afirmada por muitas testemunhas, das quais ele próprio era a última. Podemos ver isto no 15,1-11. Em segundo lugar, passa a demonstrar que a nossa ressurreição se acha indissoluvelmente ligada à de Cristo. Isto é, uma não pode subsistir sem a outra. E assim, se, por absurdo e contra toda a evidência histórica, quiséssemos negar que Cristo ressuscitou, deveríamos concluir que seria falsa a pregação dos Apóstolos, inútil a fé dos catecúmenos, ilusória toda esperança de remissão dos pecados. Se, só para esta vida, temos esperança em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Tudo isto se compreende ainda melhor considerando que Cristo é o segundo Adão. O primeiro Adão introduziu no mundo a morte. A Ressurreição de Cristo é justamente a vitória sobre esta última inimiga. Cristo, porém, é apenas as primícias dos mortos. Os outros hão de acompanhá-lo, assim como a messe vem sempre depois das primícias.
Quanto ao modo, ninguém deve objectar dizendo: como é que ressuscitam os mortos? Com que corpo haverão de retornar, pois Deus tem a possibilidade de operar as mais admiráveis transformações. Pensemos na pequena semente que morre para reviver e na enorme diversidade de corpos celestes e terrestres. Assim será também a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrupção e ressuscita-se em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, e ressuscita-se em glória. Semeia-se em fraqueza e ressuscita-se em vigor. Semeia-se um corpo animal, e ressuscita-se um espiritual. Como, com efeito, trouxemos a imagem do homem terrestre, Adão, assim também levaremos a imagem do homem celeste, Cristo Como, porém, nada de corruptível pode entrar no reino dos céus, no último dia deverá ocorrer uma enorme e misteriosa transformação: ao som da trombeta celeste, todos os justos, tanto mortos como ainda vivos, serão transformados na glória celeste. Esta será a definitiva e total vitória sobre a morte (15, 50-58). Por isso, graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por Jesus Cristo.
A doutrina cristã da ressurreição dos mortos encontrava dificuldades no mundo gentílico. Os gregos, sobretudo por influência da filosofia platónica e da doutrina pitagórica, admitiam a imortalidade da alma. Mas não podiam aceitar a ressurreição do corpo, geralmente concebido como prisão e túmulo da alma. Podemos notar isto em alguns cristãos de Corinto que mostravam vacilantes quanto à ressurreição dos corpos. Contra estes o Paulo opõe, antes de tudo, o facto da Ressurreição de Cristo, afirmada por muitas testemunhas, das quais ele próprio era a última. Podemos ver isto no 15,1-11. Em segundo lugar, passa a demonstrar que a nossa ressurreição se acha indissoluvelmente ligada à de Cristo. Isto é, uma não pode subsistir sem a outra. E assim, se, por absurdo e contra toda a evidência histórica, quiséssemos negar que Cristo ressuscitou, deveríamos concluir que seria falsa a pregação dos Apóstolos, inútil a fé dos catecúmenos, ilusória toda esperança de remissão dos pecados. Se, só para esta vida, temos esperança em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Tudo isto se compreende ainda melhor considerando que Cristo é o segundo Adão. O primeiro Adão introduziu no mundo a morte. A Ressurreição de Cristo é justamente a vitória sobre esta última inimiga. Cristo, porém, é apenas as primícias dos mortos. Os outros hão de acompanhá-lo, assim como a messe vem sempre depois das primícias.
Quanto ao modo, ninguém deve objectar dizendo: como é que ressuscitam os mortos? Com que corpo haverão de retornar, pois Deus tem a possibilidade de operar as mais admiráveis transformações. Pensemos na pequena semente que morre para reviver e na enorme diversidade de corpos celestes e terrestres. Assim será também a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrupção e ressuscita-se em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, e ressuscita-se em glória. Semeia-se em fraqueza e ressuscita-se em vigor. Semeia-se um corpo animal, e ressuscita-se um espiritual. Como, com efeito, trouxemos a imagem do homem terrestre, Adão, assim também levaremos a imagem do homem celeste, Cristo Como, porém, nada de corruptível pode entrar no reino dos céus, no último dia deverá ocorrer uma enorme e misteriosa transformação: ao som da trombeta celeste, todos os justos, tanto mortos como ainda vivos, serão transformados na glória celeste. Esta será a definitiva e total vitória sobre a morte (15, 50-58). Por isso, graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por Jesus Cristo.
Daivadas V Thomas
domingo, maio 11
A questão de morte:
Na carta de Paulo aos cristãos de Tessalónica podemos ver que os cristãos são muito inquietados com o destino daqueles que já morreram. Os cristãos até se Interrogam sobre uma possibilidade de um encontro entre os vivos e os mortos. Isto é numa perspectiva do regresso iminente de Cristo. Paulo tenta dar uma solução a esta preocupação. Podemos ver isto no versículo 4,13. Podemos ver que os cristãos concentravam a sua esperança não na ressurreição, mas na vinda iminente do Senhor. Sem dúvida, toda a primeira geração do cristianismo primitivo viveu num ambiente de tensa espera. Só depois da morte dos Apóstolos é que a esperança passará da fase de espera tensa a perspectivas temporais mais amplas.
Nesta situação, aquilo que Paulo tem de responder é se a morte individual impedirá a reunião entre vivos e mortos. Paulo responde a isso nos versículos 4,13-14.
Aquilo que podemos ver é uma resposta a uma preocupação concreta dos destinatários da carta que, vivendo à espera duma parusia iminente que seria a hora do triunfo e a salvação consumada, temem que os seus irmãos mortos, ao não alcançar este acontecimento, fiquem fora do influxo salvífico de Cristo. Paulo consola-os recordando a doutrina da ressurreição futura. Isto é os mortos em Cristo renascerão primeiro.
Paulo sublinha que a ressurreição é a única resposta válida ao mistério da morte. Parra Paulo O ponto de partida é a ressurreição de Cristo. A fé nessa ressurreição deve fazer-se extensiva aos que em Jesus adormeceram e a quem Jesus ressuscitará.
Na carta de Paulo aos cristãos de Tessalónica podemos ver que os cristãos são muito inquietados com o destino daqueles que já morreram. Os cristãos até se Interrogam sobre uma possibilidade de um encontro entre os vivos e os mortos. Isto é numa perspectiva do regresso iminente de Cristo. Paulo tenta dar uma solução a esta preocupação. Podemos ver isto no versículo 4,13. Podemos ver que os cristãos concentravam a sua esperança não na ressurreição, mas na vinda iminente do Senhor. Sem dúvida, toda a primeira geração do cristianismo primitivo viveu num ambiente de tensa espera. Só depois da morte dos Apóstolos é que a esperança passará da fase de espera tensa a perspectivas temporais mais amplas.
Nesta situação, aquilo que Paulo tem de responder é se a morte individual impedirá a reunião entre vivos e mortos. Paulo responde a isso nos versículos 4,13-14.
Aquilo que podemos ver é uma resposta a uma preocupação concreta dos destinatários da carta que, vivendo à espera duma parusia iminente que seria a hora do triunfo e a salvação consumada, temem que os seus irmãos mortos, ao não alcançar este acontecimento, fiquem fora do influxo salvífico de Cristo. Paulo consola-os recordando a doutrina da ressurreição futura. Isto é os mortos em Cristo renascerão primeiro.
Paulo sublinha que a ressurreição é a única resposta válida ao mistério da morte. Parra Paulo O ponto de partida é a ressurreição de Cristo. A fé nessa ressurreição deve fazer-se extensiva aos que em Jesus adormeceram e a quem Jesus ressuscitará.
Daivadas V Thomas
quinta-feira, maio 8
contexto da 1.ªa carta aos corintios
Essa carta foi escrita para responder algumas questões levadas a Paulo por uma comissão de cristãos coríntios, considerando também as informações que o apóstolo recebeu através de Apolo e de pessoas da família de Cloé.
A comunidade cristã em Corinto estava desunida. A comunidade cristã de Corinto era viva e fervorosa, mas não era uma comunidade exemplar no que diz respeito à vivência do amor e da fraternidade: os partidos, as divisões, as contendas e rivalidades perturbavam a comunhão e constituíam um contra-testemunho. As questões à volta dos “carismas” (dons especiais concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carismáticos consideravam-se os “escolhidos” de Deus, apresentavam-se como “iluminados” e assumiam com frequência atitudes de autoritarismo e de prepotência que não favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que não tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como “cristãos de segunda”, sem vez nem voz na comunidade.
Por outro lado, após a partida de Paulo, tinha aparecido na cidade um pregador cristão – um tal Apolo, judeu de Antioquia, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na polémica com os judeus. Era mais brilhante do que Paulo – conhecido pela sua falta de eloquência (cf. 2 Cor 10,10). Formaram-se partidos na comunidade (embora Apolo não favorecesse essa divisão, segundo parece): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1 Cor 1,12). Formaram-se “partidos”, à imagem do que acontecia nas escolas filosóficas da cidade, que tinham os seus mestres, à volta dos quais circulavam os adeptos ou simpatizantes: o cristianismo tornava-se, dessa forma, mais uma escola de sabedoria, na qual era possível optar por mestres distintos.
A situação preocupou enormemente Paulo: além dos conflitos e rivalidades que a divisão provocava, estava em causa a essência da fé. O cristianismo corria, dessa forma, o perigo de se tornar mais uma escola de sabedoria, cuja validade dependia do brilho dos mestres que apresentavam a ideologia e do seu poder de convicção. Na Primeira Carta aos Coríntios, ele corrige, admoesta, dá conselhos, mostra a incoerência destes comportamentos, incompatíveis com o Evangelho. As pessoas se agrupavam a partir da preferência por um ou outro pregador do Evangelho. Paulo afirma categoricamente que o único mestre é Cristo e que existe somente uma e verdadeira mensagem: a salvação pela cruz, Sabedoria de Deus.
O contacto com pessoas de raças e religiões variadas e com a cultura grega influenciava negativamente os costumes dos cristãos coríntios. Paulo esclarece questões morais importantes, como: incesto, celibato, matrimônio, divórcio e virgindade. Surge, assim, uma teologia do corpo como morada do Espírito Santo.
O apóstolo corrige energicamente aqueles que se apresentam como cristãos mas praticam injustiça e roubos contra os próprios irmãos de comunidade. Orienta que questões como essas devem ser resolvidas pela comunidade, sem apelar aos tribunais civis.
Os cristãos coríntios perguntaram a Paulo se era ou não permitido comer carne sacrificada aos ídolos. Ele ensina que é preciso respeitar sempre os outros, seja nesta questão como em qualquer outra relativa à liberdade cristã.
Informado sobre as reuniões, cultos e uso dos carismas, o apóstolo denuncia a distinção sócio-econômica entre os irmãos e anuncia que todos os carismas devem-se subordinar à caridade – o carisma por excelência.
Também esclarece a verdade da ressurreição de Jesus e a conseqüente ressurreição de suas seguidoras e seguidores. O centro da fé cristã é a certeza de que a vida vence a morte.
A comunidade cristã em Corinto estava desunida. A comunidade cristã de Corinto era viva e fervorosa, mas não era uma comunidade exemplar no que diz respeito à vivência do amor e da fraternidade: os partidos, as divisões, as contendas e rivalidades perturbavam a comunhão e constituíam um contra-testemunho. As questões à volta dos “carismas” (dons especiais concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carismáticos consideravam-se os “escolhidos” de Deus, apresentavam-se como “iluminados” e assumiam com frequência atitudes de autoritarismo e de prepotência que não favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que não tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como “cristãos de segunda”, sem vez nem voz na comunidade.
Por outro lado, após a partida de Paulo, tinha aparecido na cidade um pregador cristão – um tal Apolo, judeu de Antioquia, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na polémica com os judeus. Era mais brilhante do que Paulo – conhecido pela sua falta de eloquência (cf. 2 Cor 10,10). Formaram-se partidos na comunidade (embora Apolo não favorecesse essa divisão, segundo parece): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1 Cor 1,12). Formaram-se “partidos”, à imagem do que acontecia nas escolas filosóficas da cidade, que tinham os seus mestres, à volta dos quais circulavam os adeptos ou simpatizantes: o cristianismo tornava-se, dessa forma, mais uma escola de sabedoria, na qual era possível optar por mestres distintos.
A situação preocupou enormemente Paulo: além dos conflitos e rivalidades que a divisão provocava, estava em causa a essência da fé. O cristianismo corria, dessa forma, o perigo de se tornar mais uma escola de sabedoria, cuja validade dependia do brilho dos mestres que apresentavam a ideologia e do seu poder de convicção. Na Primeira Carta aos Coríntios, ele corrige, admoesta, dá conselhos, mostra a incoerência destes comportamentos, incompatíveis com o Evangelho. As pessoas se agrupavam a partir da preferência por um ou outro pregador do Evangelho. Paulo afirma categoricamente que o único mestre é Cristo e que existe somente uma e verdadeira mensagem: a salvação pela cruz, Sabedoria de Deus.
O contacto com pessoas de raças e religiões variadas e com a cultura grega influenciava negativamente os costumes dos cristãos coríntios. Paulo esclarece questões morais importantes, como: incesto, celibato, matrimônio, divórcio e virgindade. Surge, assim, uma teologia do corpo como morada do Espírito Santo.
O apóstolo corrige energicamente aqueles que se apresentam como cristãos mas praticam injustiça e roubos contra os próprios irmãos de comunidade. Orienta que questões como essas devem ser resolvidas pela comunidade, sem apelar aos tribunais civis.
Os cristãos coríntios perguntaram a Paulo se era ou não permitido comer carne sacrificada aos ídolos. Ele ensina que é preciso respeitar sempre os outros, seja nesta questão como em qualquer outra relativa à liberdade cristã.
Informado sobre as reuniões, cultos e uso dos carismas, o apóstolo denuncia a distinção sócio-econômica entre os irmãos e anuncia que todos os carismas devem-se subordinar à caridade – o carisma por excelência.
Também esclarece a verdade da ressurreição de Jesus e a conseqüente ressurreição de suas seguidoras e seguidores. O centro da fé cristã é a certeza de que a vida vence a morte.
quarta-feira, maio 7
Análise da estrutura da retórica na 1.ª carta aos coríntios
I Coríntios é uma carta de aconselhamento. Na ocasião em que Paulo encontrava-se em Éfeso, ele ouviu falar dos problemas da congregação cristã na cidade de Corinto e, por isso, passa várias instruções sobre diversos assuntos. Depois de tratar dos problemas da igreja que enfrentava dissensões e uma situação de desordem, Paulo passa a responder sobre as dúvidas dos cristãos daquela igreja. Paulo para o fazer revela fortes capacidades retóricas que são dignas de análise quando se dirige à comunidade.
Com efeito temos o praescriptum no início. Consequentemente temos o superscriptio: “PAULO (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes” – versículo 1. Temos depois o adscriptio: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” – versículo 2. E seguidamente a Salutio: “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” – versículo 3).
Seguidamente temos o exordium que Paulo usa para captar a benevolência dos auditores de modo a torná-los dóceis e receptivos (versículos 4 – 9). È interessante verificar que Paulo capta a benevolência falando nos dons da Comunidade, assunto que depois irá tratar no capítulo12. Há também um conceito chave como “comunhão” aludido neste exordium que Paulo também trata em maior extensão na carta, dizendo que o dom sem amor, caridade, nada é no famoso capítulo 13.
No versículo 10 verificamos o uso da Propositio ou tese, que é o pedido de Paulo que, neste caso, é que não haja contendas na comunidade. Depois vem a probatio que constitui as provas, as razões que suportam esse pedido presente no versículo 11 e seguintes.
É de referir que Paulo em suas argumentações no Novo Testamento usa sempre de uma dicotomia lógica:
(a) Se acreditam ou fazem p (verdadeiro), então porque acreditam ou fazem q (falso)?
Ou então a inversa desta dicotomia, onde ler-se-ia:
(b) Se acreditam ou fazem p (falso), então porque acreditam ou fazem q (verdadeiro)?
O caso de I Cor. 15:29 segue o segundo padrão (b)
I Cor. 15:12: Agora se é pregado de Cristo que ele se levantou dos mortos, como dizeis alguns de vós de que não há ressurreição dos mortos? (exemplo (a) da nota acima)
No fim aparece a peroratio que constitui a síntese conclusiva da comunicação.
Com efeito temos o praescriptum no início. Consequentemente temos o superscriptio: “PAULO (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes” – versículo 1. Temos depois o adscriptio: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” – versículo 2. E seguidamente a Salutio: “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” – versículo 3).
Seguidamente temos o exordium que Paulo usa para captar a benevolência dos auditores de modo a torná-los dóceis e receptivos (versículos 4 – 9). È interessante verificar que Paulo capta a benevolência falando nos dons da Comunidade, assunto que depois irá tratar no capítulo12. Há também um conceito chave como “comunhão” aludido neste exordium que Paulo também trata em maior extensão na carta, dizendo que o dom sem amor, caridade, nada é no famoso capítulo 13.
No versículo 10 verificamos o uso da Propositio ou tese, que é o pedido de Paulo que, neste caso, é que não haja contendas na comunidade. Depois vem a probatio que constitui as provas, as razões que suportam esse pedido presente no versículo 11 e seguintes.
É de referir que Paulo em suas argumentações no Novo Testamento usa sempre de uma dicotomia lógica:
(a) Se acreditam ou fazem p (verdadeiro), então porque acreditam ou fazem q (falso)?
Ou então a inversa desta dicotomia, onde ler-se-ia:
(b) Se acreditam ou fazem p (falso), então porque acreditam ou fazem q (verdadeiro)?
O caso de I Cor. 15:29 segue o segundo padrão (b)
I Cor. 15:12: Agora se é pregado de Cristo que ele se levantou dos mortos, como dizeis alguns de vós de que não há ressurreição dos mortos? (exemplo (a) da nota acima)
No fim aparece a peroratio que constitui a síntese conclusiva da comunicação.
terça-feira, maio 6
No meio das adversidades…
No apostolado de Paulo não faltaram dificuldades, que ele enfrentou com coragem por amor de Cristo. Ele mesmo recorda ter agido "pelos trabalhos... pelas prisões... pelos açoites, pelos frequentes perigos de morte... três vezes fui açoitado com varas, uma vez apedrejado; três vezes naufraguei... viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus concidadãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre os falsos irmãos; trabalhos e fadigas, repetidas vigílias com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez! E além de tudo isto, a minha obsessão de cada dia: cuidar de todas as Igrejas" (2 Cor 11, 23-28). De um trecho da Carta aos Romanos (cf. 15, 24.28) transparece o seu propósito de chegar até à Espanha, às extremidades do Ocidente, para anunciar o Evangelho em toda a parte, até aos confins da terra então conhecida. Como não admirar um homem como este? É claro que não lhe teria sido possível enfrentar situações tão difíceis e por vezes desesperadas, se não tivesse havido uma razão de valor absoluto, perante a qual nenhum limite se podia considerar insuperável. Para Paulo, esta razão, sabemo-lo, é Jesus Cristo, do qual ele escreve: "O amor de Cristo nos impulsiona... para que, os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Cor 5, 14-15), por nós, por todos.
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