domingo, abril 20

CARTA AOS ROMANOS - ESTRUTURA RETÓRICA: POSTSCRIPTUM



POSTSCRIPTUM

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O postscriptum é a parte da dispositio (estrutura retórica) destinada às saudações finais. Na Carta aos Romanos, posso ver que Paulo saúda pessoas provavelmente ilustres, homens e mulheres em igualdade de uma nova cidadania: a cidadania cristã.

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"Eu recomendo a vocês a nossa irmã Febe, que é diaconisa da igreja de Cencréia. (...) Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus. Saudações ao meu querido amigo Epêneto, que foi o primeiro a crer em Cristo na provìncia de Ásia. Saudações a Maria, que tem trabalhado muito por vocês. (...) Ao Deus único e sábio seja dada glória para sempre, por meio de Jesus Cristo! Amém!" (Rm 16,1-27)
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HELENA FRANCO
2008-4-20

CARTA AOS ROMANOS - ESTRUTURA RETÓRICA: PERORATIO


PERORATIO
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A peroratio é uma síntese final da comunicação, ou seja, da Carta.
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Rom 15,7-16,33:
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"Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus. (...)E, assim, se Deus quiser, chegarei aí em Roma cheio de alegria e lhes farei uma visita que me dará novo ânimo. E que Deus, nossa fonte de paz, esteja com todos vocês! Amen!"
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HELENA FRANCO
2008-4-20

CARTA AOS ROMANOS - ESTRUTURA RETÓRICA: PROBATIO



Rom 1,18-15,6: PROBATIO

Para John Ziesler, a Carta aos Romanos reflecte os interesses e problemas romanos, mas a sua longa e cuidada estrutura reflecte a consideração amadurecida de Paulo sobre esses assuntos, desde um período relativamente longo. (1)

Como apresentação da teologia paulina, na Carta aos Romanos posso ver a solicitude histórica de Deus (heilsgeschichtlich) para com o seu povo, Israel, e como Jesus Cristo é a solução para a raça humana inteira, tanto judeus como gentios. (2)

O que posso intuir em relação às provas da probatio é, em primeiro lugar, muito complexo e está intimamente ligado com as afirmações anteriores.

Limito-me, pois, a enunciar brevemente as suas provas ou os argumentos lógicos.

Rm 1,18-2,11 - 1ª PROVA: Pecado

Rm 2,12-4,16 - 2ª PROVA: Lei

Rm 4,17-8,11 - 3ª PROVA: Morte

Rm 8,12-11,36 - 4ª PROVA: Filhos de Deus

Rm 12,1-13,7 - 5ª PROVA: Vida nova

Rm 13,8-15,6 - 6ª PROVA: Amor

Dada a complexidade estrutural da Carta aos Romanos, proponho-me voltar, mais tarde e noutro post, a esta questão.

(1) Cf ZIESLER, John, Paul's Letter to the Romans, SCM Press/Trnity Press Internacional, London/Philadelphia, 1989, 16.

(2) Cf Ibidem, 8.

HELENA FRANCO

2008-4-20

CARTA AOS ROMANOS - ESTRUTURA RETÓRICA: PROPOSITIO



Cap 1


vv 16-17: PROPOSITIO

A propositio ou tese da Carta aos Romanos é a salvação dos judeus, em primeiro lugar, pois Paulo considerava o seu povo a maior vítima do pecado. (1)

Mas o pecado atinge toda a humanidade, pelo que a propositio é a Salvação universal - tema muito importante na teologia paulina -que implica a fé.

Há uma tensão e uma progressividade no tema da Salvação pela fé ao longo das Cartas de Paulo.

(...) "O justo viverá por fé." (Rm 1, 16-17)


(1) MURPHY-O'CONNOR, Paulo: Biografia Crítica, Loyola, São Paulo, 2000, 342.


HELENA FRANCO
2008-4-20

CARTA AOS ROMANOS - ESTRUTURA RETÓRICA: EXORDIUM



Cap 1


vv 8-15: EXORDIUM

.A dispositio (estrutura narrativa) tem uma dicção capaz de envolver os destinatários. A Carta aos Romanos não é um improviso, mas envolve os romanos, a partir da inteligência de fundo que ela possui.
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"Primeiramente , dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque em todo o mundo é proclamada a vossa fé. Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é testemunha de como incessantemente faço menção de vós (...)." (Rm 1, 8-15)

HELENA FRANCO
2008-4-20


CARTA AOS ROMANOS - ESTRUTURA RETÓRICA: PRAESCRIPTUM


Cap 1

vv 1-7: PRAESCRIPTUM


v 1: SUPERSCRIPTUM

Nesta parte da dispositio (estrutura retórica), há a nomeação de Paulo como emitente que tem na sua condição de apóstolo de Cristo Jesus a sua responsabilidade autorial.
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"Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus." (Rm 1,1)
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vv 2-6: Texto importante na estratégia de persuasão que vem esclarecer o significado profundo do "evangelho de Deus" porque importava a Paulo "encontrar um assunto que fosse de interesse dos romanos e, ao mesmo tempo, servisse de introdução da sua pessoa e do seu Evangelho." (1)
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v 7a: ADSCRIPTIO
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Há, nesta parte da dispositio, os destinatários a quem o emitente escreve. São eles "os amados de Deus" à semelhança de Filemon na carta que lhe é destinada. "Chamados para serem santos", os romanos eram membros de uma Igreja bem estabelecida. (2)
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"A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serem santos," (Rm 1,7a)
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v 7b: SALUTIO
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Há, nesta parte final da praescriptum, a saudação de Paulo aos romanos. A Carta aos Romanos tem uma dimensão comunitária, o que a salutio explicita (pela linhas horizontal e vertical do uso da 2ª pessoa do plural e da alusão a Deus, nosso Pai, e ao Senhor Jesus Cristo).
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"graças a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo." (Rm 1,7b)
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(1) MURPHY-O'CONNOR, Paulo: Biografia Crítica, Loyolo, SãoPaulo, 2000, 335.
(2) Cf Ibidem, 332.
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HELENA FRANCO
2008-4-20

A ESCATOLOGIA PAULINA E A TRILOGIA DE SALVADOR DALI INSPIRADA NA DIVINA COMÉDIA DE DANTE


Para Käsemann, toda a teologia do Novo Testamento é fruto de uma mentalidade apocalíptica.

Há um 1º momento, segundo Bultmann, em que Paulo acreditava que a parusia ainda seria para aquela geração, estando integrada na história e com centralidade no triunfo de Deus.

Há um 2º momento em que a escatologia paulina é decisiva para a formulação da cristologia que está a acontecer. A autoconsciência e a autodefinição de quem é Jesus Cristo é a questão decisiva da centralidade cristológica de Paulo.

A escatologia paulina é a construção de um campo semântico que se descreve simultaneamente em modo vertical (temporal: hoje/futuro) e horizontal (aqui).

Nesta aguarela intitulada “inferno”, a meu ver, Salvador Dali representa pictoricamente a verticalidade e a horizontalidade desse campo semântico, que não só se cruzam entre si como também são mediadas por diagonais.

A densidade da escatologia paulina tem a ver com o seu discurso estar entre duas linhas, o que de acordo com a minha análise corresponde à cor densa com que a aguarela termina.

A natureza contingente da teologia de Paulo, por sua vez, corresponde ao próprio aprisionamento do centauro inteiro, isto é, o corpo humano preso no corpo animal. A cor avermelhada que em termos psicanalíticos representa as pulsões tem a ver com a teologia Paulina do corpo. Sendo o corpo templo do Espírito Santo, é curioso ver o centauro – representação do inferno, ou melhor, de corpos corrompidos - encimado pelo seu próprio sopro, pois escatologia paulina é pneumatológica, o que vem na continuidade da escatologia judaica.


NOTA: Há, desde 18 de Abril, uma exposição de 100 gravuras de aguarelas de Salvador Dali inspiradas na Divina Comédia de Dante correspondendo às séries “Inferno” (CCB), “Purgatório” (São Bento- R.Industriais) e “Paraíso” (Twin Towers).